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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Imagem e Semelhança

Gostaria Senhor de falar da Tua grandeza, de forma simples, sem pertença, sem ferir o que és. Mais fácil seria dizer o que não és. Porque tu não és senão Amor. O mistério maior do tudo que ao mesmo tempo é nada. Amor infinito, que “apenas” cria liberdades. Liberdades capazes de se criarem a si mesmas. A Tua felicidade é não teres espelho, pois não te contemplas a Ti mesmo. Não tens retorno e não o pretendes em nada do que crias, pois a Tua substância é dádiva e não receptividade.

Não obstante, toda a criatura vem de Ti, e se para Ti voltar cumprirá o seu fim, por via da sua liberdade. Deixando-nos envolver no Teu Amor, tornamo-nos no que és. Assim, toda a criatura realiza a plenitude da sua existência na medida em que se divinizar. É um necessário inalcançável. Mas necessário.


E porque é necessário saber o que és? Porque para ser a Tua imagem e semelhança é preciso conhecer-Te. Recolhendo-nos profundamente, descobrimos que no fundo de nós não há um eu mas um tu. Enquanto houver interesse próprio distanciamo-nos daquilo que Tu és. Estamos em comunhão conTigo quando nos esquecemos de nós, do nosso próprio interesse. Aí, o centro está fora de nós. Somos Tua imagem e semelhança. Fazemos a experiência da Tua própria felicidade.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Correr bem / Correr mal


Correr bem ou correr mal. O que acontece, é bom ou é mau? Curiosamente, acho que esta adjectivação somos nós que a fazemos. Tudo depende se vai de encontro com a nossa vontade/necessidade ou não. É a bitola que usamos. Todavia, o que para uns é mau, para outros é experiência de edificação, de liberdade, de céu. Ao invés, o que para uns é bom, para outros é uma experiência de desintegração, divisão, de inferno. A questão expõe-se portanto subjectivamente, porque objectivamente nada é bom ou mau. Tudo depende como nos colocamos perante o que acontece.


Deus “não está” nas coisas. Quanto muito está ”por dentro das coisas”. Não faz por isso sentido dizer: “como é que Deus deixou que isto acontecesse?”. Assim estamos a coloca-lO fora do acontecimento e Ele não está fora, não está no acontecimento em si, mas sim por dentro dele. Não é vontade de Deus que aconteça isto ou aquilo, como se de um titeriteiro se tratasse. Não opta entre que hoje chova e amanhã faça sol. Deus intervém, mas não interfere. É um mistério. Mistério, não por ser incompreensível mas por ser de infinito conhecimento não atingível no seu todo por nós. Não se esgota. É uma bela razão para não acreditar, pois desejaríamos muito mais que Deus fosse feito à nossa medida do que termos que ser nós a fazermo-nos à medida d´Ele. Preferíamos quase que vender a nossa liberdade para que Ele tudo fizesse por nós. E faz! Mas faz pelos máximos, e não pelos mínimos.

Por opção, nada pode contra a nossa liberdade. É a expressão máxima do Amor. Se quisermos, podemos negá-lO inclusivamente. E quanto a isto o todo poderoso em Amor, por opção, nada pode fazer. Assim, a vontade de Deus para cada um não está no que lhe acontece ou deixa de acontecer, mas sim no modo como agimos a partir da nossa liberdade. E aí, a vontade de Deus é que sejamos outro Cristo. Sejamos a Sua imagem e semelhança, e isso nos libertará.