quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Abraço


Engraçado como o abraço é sinal da dimensão das relações. Ele há abraços serenos, apertados, ao de leve, excitados, exaltados, de saudade, de entrega, de integração, de pouco, de tanto. Aquele abraço que nos deixa em braços ou a braços com alguém que no fundo à escala particular de cada relação, precisa de nós e nós dele. Todos nos marcam, assim como como quem no lo dá. Outra experiência do abraço há, que por si só vai para além de si mesmo, é um acorpo. Quando duas vidas se precisam mutuamente para conseguirem ser a vida maior que sozinhos não são. O acorpo de quem se quer em osmose, a ponto de se ser um só. AbraçasTe a cruz de braços abertos. Exercício fisicamente pouco provável mas espiritualmente possível. Desejar um Cristo sem cruz dará vivermos uma cruz sem Cristo. Abraçando-Te acorpo vou para onde fores, faço um pedaço da Tua experiência, no fundo mais perto do que maior posso ser.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Paz-ciente

Apenas fica o que é Grande. O que era de valor permanece com valor. Podemos ir e voltar, fazer o pino, afirmar o inoportuno, passa o tempo, e apenas fica o que já lá estava, o que é Grande. O semeador pode cuidar da terra com todo o cuidado. Pode até tratar da cultura como nunca tratou de outra, mas tem que ser paz-ciente. O fruto, o alimento, nasce a seu tempo. Tem que ser paz-ciente o agricultor. Pode ficar de enxada na mão, a namorar a terra que lhe trará a tão aguardada fecundidade. A semente esta, apesar de ainda não ter visto a luz do dia, forma-se por dentro. A paciência é a ciência da paz. Não vale pois a pena o semeador rebeliar-se. O Criador promove a paz. A natureza promove a harmonia de todas as coisas por si mesma. Estar paz-ciente, ciente desta paz. Desfruta disto, quem permanecer confiante, a cuidar da semente com a mesma dedicação. Esta, continuará por si e com o acompanhamento que a nós nos for possível, a crescer, pois foi semeada e tratada para se valorizar, para ser Grande.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cheque com-fiança


Cheque com-fiança. O que nos move a fiar o nosso coração a outro? No fundo, estamos a passar um cheque em branco, sem saber se será utilizado para o motivo pelo qual nos foi pedido. É sem dúvida uma fiança que pode levar consigo o valor da nossa própria vida. Quantas vezes não recebemos também nós estes cheques! Nem sabemos bem o que temos na mão. Apenas sabemos por nos dizerem que é muito valioso e se o usarmos bem, não dará para o todo por sermos nós partes, mas dará para o tudo, tudo aquilo que nos fará falta. Cabe-nos a nós para nossa própria felicidade, sabermos das nossas verdadeiras necessidades primeiro não se vá esgotando o cheque em coisas que nos poderiam consumir muito depois. De todo, aconcelhar-mo-nos com quem está habituado a lidar com cheques de grande valor. O Mestre e os mestres da gestão das grandes fortunas do dentro. Teremos de certo 4 ou 5 à nossa volta. Reconhecer que podemos não estar a saber gerir um tesouro não é derrota, mas sim o principio da vitória.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O mestre


Porque é que Jesus não podia sair da cruz? "Quem não se retira sabe de amor". Que ideia a nossa de tentarmos manipular a todo o intante a invazão da nossas inseguranças. Alimentamo-las precisamente quando nos desconectamos da única coisa que pode vencer o medo, o Amor. Ei-Lo na cruz, fiel ao amor e não à dor. Jesus centrado no essencial, não fala na cruz, dos pregos que Lhe rasgam os pulsos, da asfixa por estar suspenço, ou ainda na coroa de espinhos que que Lhe fere a face, ainda que seja Humano, e tenha sede. Antes, numa leitura envolta em Amor suspira pela presença do Pai, agonia-se com a Sua aparente ausência, e ainda assim pede-Lhe que perdoe os demais por não saberem o que estão a fazer, entrega nas Suas mãos o Seu espírito. Dá a oportunidade a Si mesmo de fazer a experiência da plena confiança no Pai, que afinal permanece junto a Ele e O ressuscita.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amizade


Há dias assim! A surpresa acontece por que de rompante. Os amigos são sem dúvida uma grande riqueza! Individualidade vs dependência. Quanto menos se espera vêm-nos o conselho, a esperança em palavras, a compreensão, a abertura para uma nova visão à qual sozinhos não chegaríamos. São uma boa parte de nós. Conhecem-nos, e para além de nos conhecerem são um bom horizonte para nos lembrar quem somos, o que nos faz bem no fundo. Não precisam saber todos os pormenores. Precisam ter a sua experiência. Não somos tão diferentes assim uns dos outros que não possamos confiar no essencial. O essencial que agora ou depois, venha a cavalo de inverno ou de primavera, virá ao de cima.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fidelidade


Porta para a experiência da libertação. Reflexo de maturidade.
Na verdade, somos mais propensos à fidelidade quando as razões que nos convidam a sê-lo, no fundo, nos potenciam o melhor de nós e do outro, retiradas todas as dimensões que não correspondem à verdade de um coração alimentado pela Fonte.

Enraiza-se a fidelidade quando acompanhados de inteligência, do querer e do salto da fé. Ainda que natural porventura, não deixa de ser uma opção, à qual não assiste o contexto, mas antes assume todas as consequências. Testa-se muito mais na prova que na facilidade. Mais ainda, poderemos corresponder-lhe tanto mais, quanto mais provação houver.
A memória do verdadeiro encontro é o factor constituinte da mesma que nos acompanha e nos vai sustendo a adesão. Memória esta que também nos há-de vir depois máscarada e tentada por novos artifícios gerados pelo medo, insegurança. Pela incapacidade nem que seja momentânea de não termos disponível o caminho a que nos leva a inteligência e para além desta, numa margem que não lhe compete, a fé.

Carecemos pois de renovar o desejo, as razões que a inteligência selecionará, assim como de renovar a densidade da fé. Regressando ao encontro ser-nos-á revelado de novo o caminho a seguir, agora mais maduros, mais entregues, mais fiéis.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vice - Versa


Vice: a qualidade da nossa relação conTigo reflecte-se na nossa relação com os outros. Versa: a nossa relação com os outros reflecte a qualidade da nossa relação conTigo. Não poucas vezes, porque sim, porque não estamos capazes, porque não unificados, porque dispersos e perdidos, fugimos, corremos para onde der, menos para onde tememos o reencontro, o ainda assim tão preciso e desejado reencontro.

Sabemos-Te de braços abertos, acolhedor, à espera, sem que tenhemos hora marcada para estar em casa. Na Tua casa. Não és peso, mas esperança. Por mais dispersos que estejamos, desejamos profundamente que tomes nas Tuas mãos a nossa vida. Sabemos que és o sentido, a verdade, a vida em abundância. Esperamos desesperadamente por Ti. Esperamos desesperadamente pelo encontro dos nossos corações.

Na cruz, revelas a entrega, a exigência da dor, mas também a glória do amor que ressuscita que renova e intensifica o desejo de permanecer a Teu lado enquanto crucificado. A riqueza da fidelidade.

Agradecido pelo mais da oportunidade, de crescimento. Glória sempre a Ti.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reencontro. Porta para a transfiguração.


Reencontro. Porta para a transfiguração. É como se de repente o longe tivesse sido uma miragem. O coração entrega-se de súbdito como uma criança que corre para o colo da mãe. O reencontro pasma-se de tanta realidade. O querer vem de todos os lados. O olhar é a passagem para o nível do não visto. O aproximar, a ponto de fundir, lembra que não é um desconseguido sonho. A realização vem quando surge um "tu" que nos é mais do que o Eu. A voz que chama, que vem de fora, que ressoa cá dentro, quando à escuta, atenta nos sugere a integridade do dentro. Vocare, completa porque és Tu, transfigurado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Relacionarmo-nos para a liberdade

Liberdade interior. Núcleo gerador de uma vida bem vivida, no que de melhor há para viver. Relacionármo-nos com os outros para a liberdade de si mesmos é um fiel fantástico do nosso próprio Ser. Indicador por excelência, que espelha bem, se a própria da liberdade interior é ou não uma realidade em nós.

Curiosamente, é assim que nos libertamos a nós também. É assim que crescemos e fazemos crescer. Com opacidade, afeitamos a liberdade do outro para que, não poucas vezes, façamos corresponder a sua orientação com a necessidade de fortalecermos o que em nós é frágil. No fundo, não queremos tanto a coação ao demais por si mesma, mas sim afastar de nós o que no dentro nos possa insegurar.



Há-de-se por tal, garantir que o outro possa decidir por si. Invocar-lhe, a sua inteligência e o seu coração, partilhando imparcialmente de nós tudo quanto sabemos por experiência feita. Só assim se encontrará consigo. Só assim chegará lá por si. Só assim exercitará a sua liberdade.

Só assim seremos nós livres porque entrámos-lhe dentro e nele deixámos o que lhe pertence. Relacionámo-nos para a liberdade que é sua e não nossa. Quanto mais liberdade houver mais responsabilidade se gera.

A Graça é dos dois.