É preciso saber dizer não, por equilíbrio. Não se trata de excluir. Trata-se de incluir pela via do pressuposto de que há algo que precisa ser mais desenvolvido ainda. É por isso uma negação com vista à promoção. Um não também faz crescer. Define prioridades. Esclarece papeis. Quantas vezes um não pode ser um acto de amor. Pode ser espaço que se abre para o crescimento do outro, de nós mesmos. Saber dizer não é ter por sabidas as prioridades.
Pode até porventura ser mais exigente. Revela maturidade quando tem em vista um propósito maior do que à primeira vista é apresentado. Um não pode ser educativo também. Dizer sempre sim, pode ser perigosíssimo. Acolher é assumir o que se recebe. O que é proposto, o que é dado. Pode-se por isso receber e não acolher. Não assumir o que é proposto, o que é dado. Nem sempre o sim é a melhor forma de acolhimento. Dizer não por equilíbrio, é por isso ter como horizonte o bem maior. É uma posição positiva acerca do que é ainda insuficiente. Do que não é ainda prioridade. É uma oportunidade que remete à erudição.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Gratidão
A gratidão é a porta de todas as graças. Podemos entrar pela porta da inteligência, pela porta da coragem, da frustração, do entendimento, por tantas portas podemos entrar. Mas a gratidão é que é a porta de todas as graças. Um olhar agradecido é um olhar que devolve à realidade todo o seu esplendor de beleza. A memória é necessária. A ingratidão é o cumulo da falta de memória. O egoísmo é o cumulo do esquecimento. Fazendo memória de tudo quanto nos é concedido é tornar presente que o essencial é-nos oferecido gratuitamente. A começar pela própria vida. A gratidão purifica-nos o olhar. É, se quisermos, um beijo na esperança.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Paz
Paz. O que nos cansa é a divisão. O que nos descansa é a unidade. É sentirmo-nos amados. É podermos ser o que somos, inteiros, sem máscaras. Quando amados, sentimo-nos unificados por dentro. Podemos ser nós. O caos é o oposto da paz. É por isso que o pecado nos tira a paz. O pecado é falta de amor. O perdão restitui ao pecado essa insuficiência de amor. É por isso que o perdão promove a paz. Aquilo que em nós está por resolver, os assuntos que deixamos pendentes, acabam por não nos deixar em paz. Porquê? Porque neles estamos divididos. Porque neles ainda falta amor. A paz é unidade, a humildade e a justiça. O mesmo é dizer que é a verdade. Só numa dinâmica de paz se é livre.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
i/maturidade
O Senhor imaniza-nos sempre para a maturidade. E o que nos custa, o que dói, o que porventura nos faz sofrer, o que provavelmente não conseguimos digerir, deve-se à nossa ainda imaturidade. É o grito natal. Sinal de vida, onde curiosamente, quanto mais maduros, mais felizes, mais criadores, mais Humanos, mais Deus, somos. A Verdade não se contradiz. A chave capta-se em Cristo, onde “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Cl 2, 3), o principio e o fim da razão. Método humano que nos leva por nós mesmos a atingir um pedaço da Verdade, do que é mistério, do que é do âmbito da fé. Mas eis que a fé é também conhecimento. A fé é o estado esclarecido da razão. Assim, nesta experiência anfíbia entre fé e razão podemos nós encontrar meios para nos divinizarmos. Tornarmo-nos no próprio Deus. Sim. Tornarmo-nos no próprio Deus. Não se trata de sermos Deus, mas de nos tornarmos cada vez mais semelhantes a Ele.
Da passagem do nada à vida, fazemos a nossa primeira experiência de transmaturidade. Daí em diante, toda a vida é processo de maturação. Amadurecer é tornarmo-nos no próprio Deus. Tornarmo-nos no próprio Deus é amarmos cada vez mais como Deus ama. Esta é se quisermos a grande recompensa das bem-aventuranças. “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12). A grande recompensa prometida a cada hora por Jesus, o Cristo, não é se não amar como Deus ama. Amar como Deus ama é perdoar como Deus perdoa, é gerar vida como Deus gera, é apagar-se para que outro ser possa Ser.
Da passagem do nada à vida, fazemos a nossa primeira experiência de transmaturidade. Daí em diante, toda a vida é processo de maturação. Amadurecer é tornarmo-nos no próprio Deus. Tornarmo-nos no próprio Deus é amarmos cada vez mais como Deus ama. Esta é se quisermos a grande recompensa das bem-aventuranças. “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12). A grande recompensa prometida a cada hora por Jesus, o Cristo, não é se não amar como Deus ama. Amar como Deus ama é perdoar como Deus perdoa, é gerar vida como Deus gera, é apagar-se para que outro ser possa Ser.
Deixar-se amadurecer é querer existir.
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Imagem e Semelhança
Gostaria Senhor de falar da Tua grandeza, de forma simples, sem pertença, sem ferir o que és. Mais fácil seria dizer o que não és. Porque tu não és senão Amor. O mistério maior do tudo que ao mesmo tempo é nada. Amor infinito, que “apenas” cria liberdades. Liberdades capazes de se criarem a si mesmas. A Tua felicidade é não teres espelho, pois não te contemplas a Ti mesmo. Não tens retorno e não o pretendes em nada do que crias, pois a Tua substância é dádiva e não receptividade.
Não obstante, toda a criatura vem de Ti, e se para Ti voltar cumprirá o seu fim, por via da sua liberdade. Deixando-nos envolver no Teu Amor, tornamo-nos no que és. Assim, toda a criatura realiza a plenitude da sua existência na medida em que se divinizar. É um necessário inalcançável. Mas necessário.
E porque é necessário saber o que és? Porque para ser a Tua imagem e semelhança é preciso conhecer-Te. Recolhendo-nos profundamente, descobrimos que no fundo de nós não há um eu mas um tu. Enquanto houver interesse próprio distanciamo-nos daquilo que Tu és. Estamos em comunhão conTigo quando nos esquecemos de nós, do nosso próprio interesse. Aí, o centro está fora de nós. Somos Tua imagem e semelhança. Fazemos a experiência da Tua própria felicidade.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Do Amor à Esperança
Ora, na verdade, há experiências que realizam mais do que outras é certo. Mas, com verdade, pondo os olhos na nossa realidade, podemos abraça-la com amor. Seja como for. Ainda que não seja nada óbvio. E não é nada óbvio! Assim como também não é nada óbvio abraçar uma cruz com amor. Isto dá que pensar! Temos a prova de alguém que sendo como nós, teve a Sua realização plena pregado numa cruz. E foi daí que brotou vida. Dá-se a ressurreição e nasce tão simplesmente a igreja, da qual temos o privilégio de ter chegado até nós… veja-se bem, quanta esperança põe Deus na fragilidade, no que é pobre, no que é precário…
Hoje de manhã vinha a ouvir uma música que dizia: “Vou-te mostrar que as árvores riem pra ti, Vou-te mostrar que as estrelas dão sinais de si, Vou-te mostrar que o sol te aquece e te abraça, E que tudo não passa do saber viver e contemplar”. Acho que é isto a esperança. Por um sorriso na cruz. É o amor que vence a morte e não o contrário. A morte e todas as mortes em nós, do que é tristeza ao que é frustração, do que é tibieza ao que é egoísmo. E a música continuava “olha à Tua volta e pensa em Deus, Aquele que deu tudo e tudo aos seus, Entrega-lhe o teu estar o teu olhar, E sem o reparares Ele vai-te abraçar, Vai-te ajudar”.. É isto! Tudo não passa do saber viver e contemplar. Se virmos bem à nossa volta há já tanto de premissas do reino pleno de Deus, perto do dia em que Ele será tudo em todos! Hás-de reparar… é daqui nasce a esperança.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Correr bem / Correr mal
Correr bem ou correr mal. O que acontece, é bom ou é mau? Curiosamente, acho que esta adjectivação somos nós que a fazemos. Tudo depende se vai de encontro com a nossa vontade/necessidade ou não. É a bitola que usamos. Todavia, o que para uns é mau, para outros é experiência de edificação, de liberdade, de céu. Ao invés, o que para uns é bom, para outros é uma experiência de desintegração, divisão, de inferno. A questão expõe-se portanto subjectivamente, porque objectivamente nada é bom ou mau. Tudo depende como nos colocamos perante o que acontece.
Por opção, nada pode contra a nossa liberdade. É a expressão máxima do Amor. Se quisermos, podemos negá-lO inclusivamente. E quanto a isto o todo poderoso em Amor, por opção, nada pode fazer. Assim, a vontade de Deus para cada um não está no que lhe acontece ou deixa de acontecer, mas sim no modo como agimos a partir da nossa liberdade. E aí, a vontade de Deus é que sejamos outro Cristo. Sejamos a Sua imagem e semelhança, e isso nos libertará.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Para-bens

O dom da vida. Acho que a vida é isto mesmo, um dom que nos é dado, com o propósito de com ele nos direccionarmos para o Bem. Para-os-bens. Não pelos bens em si mesmos, como se o que é material fosse o fim ultimo da nossa existência. Não nos esgotamos na matéria mas antes nos prolongamos nela e através dela.
A vida. Para-os-bens, de tudo quanto nos relacionamos. Um dom que nos é confiado para dele desfrutarmos e crescermos em dádiva, à imagem e semelhança do próprio Deus que é todo poderoso em Amor. Em dar-se por inteiro. A vida é uma oportunidade. Oport-unidade. Dever-de-unidade. O mesmo é dizer que a vida é para o Bem. Só o Bem nos une de fundo. Só o Bem nos coloca em comunhão. Comum-união. A partir daqui podemos ser verdadeiramente chamados filhos do Altíssimo. A vida é um lugar de beleza. Ressoam as palavras do Papa Bento aquando da sua visita a Portugal: “"Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas em lugares de beleza…Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da Sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos vossos conterrâneos. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.”
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Filhos do Pai
É-se filho porque se tem um pai. Não há pai sem filho e nem filho sem pai. Imagine-se o filho, que tem o pai por referência. Concordo com o Pe. Alberto Brito (sj) que diz que “o filho não obedece ao “pai”, imita-o”, e ainda que assim seja, acaba sempre por admirá-lo. Depende do pai. É ele que o educa, que o sustenta, que o vê crescer. Ainda que o pai seja mau sabe dar coisas boas ao seu filho, quanto mais o Pai do céu o fará com os seus.
Veja-se a dignidade que se nos é conferida ao podermo-nos chamar de filhos de Deus! Ser filho de Deus é ser filho da eternidade. É ser filho do Amor. É ser filho do infinito ainda que finitos sejamos. Podemos não obedecer sempre à vontade do Pai, mas reconhecemos nela o sentido profundo da nossa vida. Ele é que sabe. Podemos não obedecer sempre à vontade do Pai, mas sabemos que só esta nos faz crescer, amadurecer, em” sabedoria, estatura e em Graça”. É a sabedoria plena, porque é do Alto, porque é a origem da Graça. Ele é o único que É, total e inteiramente.
A Humildade é a Verdade. Nestas somos invadidos pelos dons do Espírito Santo, pelo próprio Deus, que, depois de esvaziados de nós mesmos, entrará por nós dentro e tudo renova. E é o próprio Deus, o próprio Cristo, que nos diz quem somos e nos lança nesta novidade revestida de profundo sentido da nossa existência: “Quando orardes dizei: Pai Nosso, que estás no céu…”. Obedecer ao Pai é imitá-Lo. Por Cristo, Com Cristo, em Cristo. Sermos filhos no Filho, e aí, tudo faz sentido.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Fazer tudo por Amor
Não poucas vezes, quando estamos perante alguém a quem devemos consideração, esforçamo-nos por dar o melhor de nós como que para confirmar o ascendente que tem sobre nós. E se esse alguém for o próprio Deus? Sugiro para esta semana a temática do trabalho (no/para Reino):
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23 S. Paulo); e ainda “Servos, obedecei a vosso senhor … na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre” (Efésios 6:5-8 S. Paulo).
Assim, tudo o que fazemos, fazemo-lo para o Pai. O Senhor quer-nos Santos onde estamos. Com as condições que temos. Pelas mais diversas razões que nos levaram a chegar onde nos encontramos. Assim, cada conversa, cada cliente, cada fornecedor, cada mail enviado, cada mensagem, cada leitura, cada situação, seja revestida da noção plena que o Senhor deposita em nós a confiança de co-criadores. Acompanhados de todo, pelo Amor que recebemos descido do céu a habitar no meio de nós, Jesus, pelo poder re-criador do Espírito prometido a cada hora, o Espírito Santo. Co-criadores deste mundo, que ainda não está acabado. Assim a nossa profissão seja meio de santificação. Santificarmo-nos para santificar tudo à nossa volta. Fazer tudo por Amor.
Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo (Caminho, n. 813 José Maria Escrivá).
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23 S. Paulo); e ainda “Servos, obedecei a vosso senhor … na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre” (Efésios 6:5-8 S. Paulo).
Assim, tudo o que fazemos, fazemo-lo para o Pai. O Senhor quer-nos Santos onde estamos. Com as condições que temos. Pelas mais diversas razões que nos levaram a chegar onde nos encontramos. Assim, cada conversa, cada cliente, cada fornecedor, cada mail enviado, cada mensagem, cada leitura, cada situação, seja revestida da noção plena que o Senhor deposita em nós a confiança de co-criadores. Acompanhados de todo, pelo Amor que recebemos descido do céu a habitar no meio de nós, Jesus, pelo poder re-criador do Espírito prometido a cada hora, o Espírito Santo. Co-criadores deste mundo, que ainda não está acabado. Assim a nossa profissão seja meio de santificação. Santificarmo-nos para santificar tudo à nossa volta. Fazer tudo por Amor.
Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo (Caminho, n. 813 José Maria Escrivá).
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