sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Algo está a acontecer comigo


"Algo está a acontecer comigo e não sei se é só um estado de espirito ou outra coisa mais fundamental. É como se tivesse regressado à base, de repelão. Um bocadinho mais independente e autónoma.

Ontem à noite, de bicicleta pela fria e escura rua Lairesse, desejava poder repetir o que então murmurei em voz baixa: "Deus, pega-me pela mão, acompanhar-te-ei bem-comportadamente, sem muita resistência. Não me desviarei de nada do que nesta vida vier de encontro a mim, tentarei integrar tudo em mim com as minhas melhores forças. Mas dá-me de vez em quando um momento de sossego. Também não pensarei mais, na minha ingenuidade, que essa paz, se ela vier, será eterna; hei-de aceitar igualmente o desassossego e a luta que hão-de vir outra vez. Gosto de me sentir abrigada e segura, mas não irei revoltar-me se for exposta ao relento, desde que seja pela Tua mão. Hei-de acompanhar-te sempre guiada pela tua mão e tentarei não ter medo. Hei-de tentar irradiar algo do amor, do verdadeiro amor ao próximo, que tenho dentro de mim, onde quer que eu esteja."

Contudo também não deves andar a exibir-te com esse «amor ao próximo». Não sabes se o tens. Não quero ser especial, somente quero tentar ser aquela que em mim ainda procura o desenvolvimento total. Às vezes penso que desejo a reclusão de um convento. Porém, é com as pessoas e o mundo que terei de lidar. E hei-de fazê-lo, apesar da aversão e do cansaço, por vezes. Mas prometo que hei-de viver a vida em pleno e até ao fim.

Às vezes penso que a minha vida só agora é que começa."

Etty Hillesum

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

deserto


Bem vindo ao deserto. Bem sabias que haverias de cá vir parar um dia. Esse deserto em que se experimenta o silêncio. A angústia de só poderes contar contigo. No deserto faz muito frio à noite e muito calor durante o dia. É portanto de extremos. Mas é do deserto que se parte para a vida. É preciso saber ser-se sozinho para poder vir a ser com alguem.

Homem velho & Homem novo



Nesta quaresma quero dar rédia curta ao homem velho que há em mim. Já não era sem tempo. Se bem me conheço e se estiver atento, é-me fácil perceber como ele actua em mim. O homem velho é mais astuto que o homem novo. É mais subtil, mais sabido, mais intreceiro. O homem novo é mais ingenuo, mais previsivel, mais consciente. O homem velho toma-me sem eu dar por isso. O homem novo pede licença para Ser, em mim. O homem velho é isso mesmo, mais velho, tem portanto outros vicios que ao homem novo vai custando tecer. O homem novo é mais frágil, sabendo da sua pequenez. O homem velho pensa que é grande, e é-o, em si mesmo, cheio de si, expremido não dá nada. O homem novo está em desvantagem, ainda anda a aprender a ler e a escrever enquanto o homem velho é já uma enciclopédia de mundo. O homem novo está a aprender a somar, o homem velho é já uma equação. Por falar em deitar contas à vida, homem velho e homem novo são duas almas gémeas que nada têm em comum. Resta saber quem vencerá.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Carta de Deus a mim I



Olá Luís,

Meu caro filho. À quanto tempo, desde o Baleal. Tenho reparado que andas preocupado. Dizes não me sentir presente, dizes não saber se existo. Dizes não saber ao que andas, dizes-te perdido e sem rumo. Pois escuta o teu coração. Aí estou. Ai encontrarás a resposta. Não queiras no entanto saber todas as respostas a todas as perguntas. Vive cada dia de sua vez. Dá o teu melhor a cada momento. Lava o rosto e anda alegre. Agradeçe tudo o que tens e já adpquiriste em toda a vida. Sorri comigo na cruz. Não penses ser o menor entre os Homens pois Eu não faço acepçãp de pessoas. A todos amo por igual. Dou-te a força para amar. Ama o teu próximo com toda a tua força. Confia pois em mim que sou o teu sustento e amparo. Não queiras compreender todo o meu mistério pois não está ao teu alcance. Preocupa-te antes em amar. Ama tudo o que fazes, todas as pessoas e todas as coisas. Estou contigo mesmo quando pensas que não estou.

Deus

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


Descentrar-me de mim. Colocar Deus no centro. Ao fim ao cabo no Seu sitio. É o deixar de me pertencer. É um jogo estranho, de perder vida para ganhá-la. É o modo de Jesus. Quanto mais conhecer o Amor de Deus mais sei amar os outros.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meu Deus meu Deus


"Meu Deus meu Deus, porque me abandonaste", pensava eu ser um momento de fracasso em que Jesus se tivesse sentido abandonado pelo Pai. Ao que parece era comum que os condenados enquanto pereciam na cruz entuassem orações juntamente com os familiares e próximos que os acompanhavam até à hora da morte. Este versiculo é pertença do salmo 22 que mais lá para a frente entre outras coisas nos diz: "Na verdade, Tu me tiraste do seio materno; puseste-me em segurança ao peito de minha mãe, Tu és o meu Deus". Mais adiante acrescenta "Nas Tuas mãos entrego o meu espirito" do salmo 31 o qual no seu seguimento se pode ler "Amai o Senhor todos vós que sois seus amigos..." impressionante como ainda na cruz Jesus exorta os presentes tendo dito provavelmente (na sequência deste mesmo salmo) "tende coragem e fortalecei o vosso coração, todos vós que esperais no Senhor"(salmo 31, 25).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

stop

Às vezes é bom parar. Parar o que somos para assim ganhar distância e sermos mais nós próprios. Um eu diferente da correria normal. Correr de mais atrofia-nos o ser. Não há espaço para nós, ao contrário do que pensamos. É assim que estou. Parado. A preparar-me para um novo ano. Ano de novos desafios. Novos e antigos, não menos bons de levar a cabo. Saúdo a sanidade mental e os melhores dias que aí virão não acreditasse eu na possivel resiliência de uma alma cristã.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A nossa mente, não é Deus, mas tem tanto de desconhecido. De nós conhecemos certas coisas. Sentimentos, desejos, medos. Tudo isto são certezas de nós. São partes que nos constituem. Outro tanto (não é pouco) está incoberto pela nossa capacidade ou não de raciocínio. Como que, se a vida dependesse disso. Uma vida é reflexo disto. A nossa inteligência, no Amor de Deus, é a alquimía da nossa felicidade.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Engraçado como o amor não se revela todo de uma só vez. No sentir parece que sim. Na sua capacidade total, parece-me que não. Ao vencer interiores de nós, aproximamo-nos de um eu mais puro e mais verdadeiro, mais capaz, por isto, de amar e que afinal não tem que ser o que tinha sido até aqui. Quem não é, não pode Ser. Nem consigo, nem com outros. Da sua fonte, Deus, brota o amor que me possibilita também a inteligência e não só a veste irracional que apenas parece ter.