domingo, 29 de maio de 2011

Imaginação

A susceptibilidade das hipóteses. Damos voltas e mais voltas a cabeça por entre visões e adivinhas a que nos impele a imaginação. E a insegurança também.

Num triz, projectamos, no que de melhor temos provavelmente, os de mais cenários, pertenços a um filme que desejamos não ver realizado. Desempenhamos e trocamos de papéis a todo o momento. Do nada, somos actores exemplares. Seguimos o guião das nossas entranhadas frustrações do não conseguido, ou do possível adquirido que ai possa vir, mas que é de certo non grato.

A imaginação é um termómetro fantástico de nós mesmos. É reflexo do que cá vai dentro. Tanto dá para ser o sonho que em nós potencia o que nem ousávamos sonhar, como dá para ser ser pesadelo mascarado de sonho que nos vai minoritando mesmo antes das visões e adivinhas poderem chegar a acontecer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

perfeito vs sanctus

Cresce-me com alegria. Sem desespero. Cresce-me em sabedoria. Assim espero.

Não aconteça incorrer na luta desigual de quem se quer ímpar e tanto, original, perfeito, com pouco de Santo. Escassos são os milímetros que separam a permuta dos caminhos, que aparentemente, se aprontam idênticos.



A perfeição aporta-se em nós. Todo o momento tem que ser um exemplo. Ficamos distantes do fora, pois o centro está dentro. Surte o efeito perverso de nos içarmos em nós, dessa prossecução nos tomar por inteiro.
A perfeição não dorme, nem se dá ao descanso. Torna-se a exigência uma obra prima, sem vida, esculpida em nada, que não rima, que tudo exclui ou demais absorve. Se possível, quem nos dera estar longe de todos (porque cada um nos atrapalha), se possível até de nós (por ser o nós que nos encalha).

Quando chega a lucidez há um querer de Santidade. Os caminhos, que aparentemente, se aprontam idênticos, diferem afinal. Consiga eu ser livre de tão profícua a disponibilidade. Disponível para Ser Humano a caminhar para o Divino. Sendo-me exequível ficar com ou ficar sem.

Cresce-me com alegria. Sem desespero. Cresce-me em sabedoria. Assim espero.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Guia

És guia. Sabes se-lo. É-te nato o dom. Guias a partir de dentro. Guias-me a partir de dentro. Conduzes-me para onde nunca fui. Sabes ser guia onde nunca estive. Não precisas de te esforçar para tal. És assim por natureza. Uma natureza que agradeço sem cessar. Volta. Volta que te espero. Guia-me porque é sempre preciso que me guies, a partir de dentro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

De novo

Voltar a ter-te de novo. Renascer contigo a partir do Ser. De faces voltadas de novo. Sentir que me cativas. Que me fazes tornar a viver. Depois do deserto, a terra prometida. Como a avezinha que reaprende a voar, de novo, levanta voo a medo mas confiante que há-de ser capaz. Contigo sou capaz. Não fosse eu mais Eu contigo. Sendo o que És de fundo ajudas-me num mais possível de construtivo. Fico assim mais parecido comigo e tu edificando-me te edificas reafundando a fundo, o fundo que não queríamos ter nunca perdido. Mais água leva o poço quando este está vazio. Toma-me o coração nas tuas mãos. Peço-te. É teu. Nosso. Confesso, que bom termo-nos voltado de novo. Para mim. Para ti. Para nós.

sábado, 26 de março de 2011

Sou-te

Quero agarrar-te sem sentir que me escapas. Saber-te por dentro a ponto de nao precisar de te prender a mim. A ponto de nos pertencermos em liberdade. Saboreando a saudade como tempero do que temos construido. Sermos juntos. Sabermo-nos perto no essencial. Sermos a essëncia no além e no aquém de nós. Lucidez. Sermos lúcidos no que realmente importa. Cuidar do que já se é. Procurar ser o que se deseja em sonhos por ser em nós o onde da possibilidade real dos mesmos. Nao vedar o que se sente de degenerativo. Seria privar uma parte da totalidade que nao é divisivel. Acolho-te na fecunda necessidade de nos termos. Sou-te.

quinta-feira, 17 de março de 2011

humanidade

A humanidade que tens fascina-me. Tão natural, tão eminente. Tão cuidada. Preciosa. Tão nobre a forma como rica no dentro. Feitos da mesma massa. Não és vedeta. És de cá. Como eu. Frio, comichão, fome, má-disposição. Traduzes em beleza o que És. Brio, assertividade, transparência, novidade. Expressas-te em todos os 5 sentidos com o mesmo querer. Atentas-me em cada pormenor. Entregas-Te para mais, pelo bem maior que sempre se busca na comunhão. Comum-união.

terça-feira, 15 de março de 2011

Colo

No colo descanso. Sonho acordado. Manso. Acolhido em braços que parecem um berço de embalar. Respiro tranquilo. Respiro daquilo que desde sempre se procurou cantar, escrever, falar, Ser. Dás-me colo porque me quereres bem. Não há necessidade de ser eu, alguém que não eu. Faz-se perto a distância que nos possa separar, no meio de uma velocidade feroz que tenta fazer de nós, avezinhas confusas em busca do ninho. No colo pareço sozinho, por tanto se interlaçarem aqui, no ninho, o querer maior de uma experiência de céu. O céu, no colo.