segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amizade


Há dias assim! A surpresa acontece por que de rompante. Os amigos são sem dúvida uma grande riqueza! Individualidade vs dependência. Quanto menos se espera vêm-nos o conselho, a esperança em palavras, a compreensão, a abertura para uma nova visão à qual sozinhos não chegaríamos. São uma boa parte de nós. Conhecem-nos, e para além de nos conhecerem são um bom horizonte para nos lembrar quem somos, o que nos faz bem no fundo. Não precisam saber todos os pormenores. Precisam ter a sua experiência. Não somos tão diferentes assim uns dos outros que não possamos confiar no essencial. O essencial que agora ou depois, venha a cavalo de inverno ou de primavera, virá ao de cima.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fidelidade


Porta para a experiência da libertação. Reflexo de maturidade.
Na verdade, somos mais propensos à fidelidade quando as razões que nos convidam a sê-lo, no fundo, nos potenciam o melhor de nós e do outro, retiradas todas as dimensões que não correspondem à verdade de um coração alimentado pela Fonte.

Enraiza-se a fidelidade quando acompanhados de inteligência, do querer e do salto da fé. Ainda que natural porventura, não deixa de ser uma opção, à qual não assiste o contexto, mas antes assume todas as consequências. Testa-se muito mais na prova que na facilidade. Mais ainda, poderemos corresponder-lhe tanto mais, quanto mais provação houver.
A memória do verdadeiro encontro é o factor constituinte da mesma que nos acompanha e nos vai sustendo a adesão. Memória esta que também nos há-de vir depois máscarada e tentada por novos artifícios gerados pelo medo, insegurança. Pela incapacidade nem que seja momentânea de não termos disponível o caminho a que nos leva a inteligência e para além desta, numa margem que não lhe compete, a fé.

Carecemos pois de renovar o desejo, as razões que a inteligência selecionará, assim como de renovar a densidade da fé. Regressando ao encontro ser-nos-á revelado de novo o caminho a seguir, agora mais maduros, mais entregues, mais fiéis.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vice - Versa


Vice: a qualidade da nossa relação conTigo reflecte-se na nossa relação com os outros. Versa: a nossa relação com os outros reflecte a qualidade da nossa relação conTigo. Não poucas vezes, porque sim, porque não estamos capazes, porque não unificados, porque dispersos e perdidos, fugimos, corremos para onde der, menos para onde tememos o reencontro, o ainda assim tão preciso e desejado reencontro.

Sabemos-Te de braços abertos, acolhedor, à espera, sem que tenhemos hora marcada para estar em casa. Na Tua casa. Não és peso, mas esperança. Por mais dispersos que estejamos, desejamos profundamente que tomes nas Tuas mãos a nossa vida. Sabemos que és o sentido, a verdade, a vida em abundância. Esperamos desesperadamente por Ti. Esperamos desesperadamente pelo encontro dos nossos corações.

Na cruz, revelas a entrega, a exigência da dor, mas também a glória do amor que ressuscita que renova e intensifica o desejo de permanecer a Teu lado enquanto crucificado. A riqueza da fidelidade.

Agradecido pelo mais da oportunidade, de crescimento. Glória sempre a Ti.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reencontro. Porta para a transfiguração.


Reencontro. Porta para a transfiguração. É como se de repente o longe tivesse sido uma miragem. O coração entrega-se de súbdito como uma criança que corre para o colo da mãe. O reencontro pasma-se de tanta realidade. O querer vem de todos os lados. O olhar é a passagem para o nível do não visto. O aproximar, a ponto de fundir, lembra que não é um desconseguido sonho. A realização vem quando surge um "tu" que nos é mais do que o Eu. A voz que chama, que vem de fora, que ressoa cá dentro, quando à escuta, atenta nos sugere a integridade do dentro. Vocare, completa porque és Tu, transfigurado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Relacionarmo-nos para a liberdade

Liberdade interior. Núcleo gerador de uma vida bem vivida, no que de melhor há para viver. Relacionármo-nos com os outros para a liberdade de si mesmos é um fiel fantástico do nosso próprio Ser. Indicador por excelência, que espelha bem, se a própria da liberdade interior é ou não uma realidade em nós.

Curiosamente, é assim que nos libertamos a nós também. É assim que crescemos e fazemos crescer. Com opacidade, afeitamos a liberdade do outro para que, não poucas vezes, façamos corresponder a sua orientação com a necessidade de fortalecermos o que em nós é frágil. No fundo, não queremos tanto a coação ao demais por si mesma, mas sim afastar de nós o que no dentro nos possa insegurar.



Há-de-se por tal, garantir que o outro possa decidir por si. Invocar-lhe, a sua inteligência e o seu coração, partilhando imparcialmente de nós tudo quanto sabemos por experiência feita. Só assim se encontrará consigo. Só assim chegará lá por si. Só assim exercitará a sua liberdade.

Só assim seremos nós livres porque entrámos-lhe dentro e nele deixámos o que lhe pertence. Relacionámo-nos para a liberdade que é sua e não nossa. Quanto mais liberdade houver mais responsabilidade se gera.

A Graça é dos dois.

domingo, 29 de maio de 2011

Imaginação

A susceptibilidade das hipóteses. Damos voltas e mais voltas a cabeça por entre visões e adivinhas a que nos impele a imaginação. E a insegurança também.

Num triz, projectamos, no que de melhor temos provavelmente, os de mais cenários, pertenços a um filme que desejamos não ver realizado. Desempenhamos e trocamos de papéis a todo o momento. Do nada, somos actores exemplares. Seguimos o guião das nossas entranhadas frustrações do não conseguido, ou do possível adquirido que ai possa vir, mas que é de certo non grato.

A imaginação é um termómetro fantástico de nós mesmos. É reflexo do que cá vai dentro. Tanto dá para ser o sonho que em nós potencia o que nem ousávamos sonhar, como dá para ser ser pesadelo mascarado de sonho que nos vai minoritando mesmo antes das visões e adivinhas poderem chegar a acontecer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

perfeito vs sanctus

Cresce-me com alegria. Sem desespero. Cresce-me em sabedoria. Assim espero.

Não aconteça incorrer na luta desigual de quem se quer ímpar e tanto, original, perfeito, com pouco de Santo. Escassos são os milímetros que separam a permuta dos caminhos, que aparentemente, se aprontam idênticos.



A perfeição aporta-se em nós. Todo o momento tem que ser um exemplo. Ficamos distantes do fora, pois o centro está dentro. Surte o efeito perverso de nos içarmos em nós, dessa prossecução nos tomar por inteiro.
A perfeição não dorme, nem se dá ao descanso. Torna-se a exigência uma obra prima, sem vida, esculpida em nada, que não rima, que tudo exclui ou demais absorve. Se possível, quem nos dera estar longe de todos (porque cada um nos atrapalha), se possível até de nós (por ser o nós que nos encalha).

Quando chega a lucidez há um querer de Santidade. Os caminhos, que aparentemente, se aprontam idênticos, diferem afinal. Consiga eu ser livre de tão profícua a disponibilidade. Disponível para Ser Humano a caminhar para o Divino. Sendo-me exequível ficar com ou ficar sem.

Cresce-me com alegria. Sem desespero. Cresce-me em sabedoria. Assim espero.