segunda-feira, 5 de março de 2012

Busco-Te

Continuar a buscar-Te! Dá-me Senhor a graça de não me acomodar! De não me sentar a ver a vida passar, mas antes passe a correr atrás dela, com ela, mantendo o desejo profundo de Te encontrar onde quer que estejas. Onde quer que eu seja mais eu conTigo. É bom saber de quem á minha volta continua empenhado na Tua procura. Assim, ganho balanço e procuro-Te também.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Que geste


Se é assim que queres que eu seja feliz, pois assim seja. Se é assim que me queres dar vida em abundância, pois que venha. Encarar o que se vive no presente como a oportunidade propícia que a vida nos oferece para a vivermos a gosto. Ele há fases e fases, é verdade. Há umas que não se percebe muito bem de onde vem o vento. Apenas sabemos que sopra forte e que nos arrebate com violência. Mas também procurar entender e porventura aceitar que este mesmo pneuma nos quer enviar para outro lugar. Ver outras vistas, aportar noutras praias. Como que dores de parto de algo que está para vir à luz. É dar-lhe tempo. Que geste.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sem outras intenções

"Sem outras intenções, sem arrependimento, sem nostalgia, acolhe os acontecimentos, mesmo os mais ínfimos, com infinita surpresa. Vai, caminha, um pé à frente do outro, avança da dúvida em direcção à fé e não te preocupes com as impossibilidades. Acende um fogo, utilizando mesmo os espinhos que te fazem mal"

Irmão Roger

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Elogio ao silêncio


Pedagogo. Engraçado como é explosiva a dupla silêncio e tempo. Dá-nos muito mais respostas que muitas conversas para chegar a um consenso. De uma forma ou de outra os dois elementos, caminhando de mãos dadas, acabam por revelar tanto a nós como aos outros, os elementos chave para a compreensão dos factos. Do que aconteceu, ou até do que está para acontecer. Não é imediato o efeito, mas acaba o silêncio sempre por dar resposta a quem nós queríamos dar uma explicação. A quem gostaríamos de dizer meia dúzia de coisas. A vida encarrega-se ela mesma de revelar tudo aquilo que nós gostávamos de ter dito, tudo aquilo que queríamos que o outro soubesse. Porquê? Porque a vida não é só boas fases. Também é feita de des-sentido que a todos toca de uma forma ou de outra, agora ou depois. Aí compreendemos nós o que nos tinham tentado dizer, compreendemos nós aquilo o que o outro viveu e que tanto nos gostaria de ter revelado. Contudo nem sempre é expressível. Umas vezes porque a linguagem não é ainda capaz de se expressar o suficiente para que se pudesse entender. Nem mesmo até a dor do outro, na qual nos compadecemos mas estamos longe de a entender por dentro. Assim, o silêncio e o tempo encarregam-se eles mesmos de revelar o que aconteceu de uma forma maior e até mais semelhante ao que realmente foi. É como que um ajuste de contas que sem maldade a vida acaba por fazer por si mesma. E ainda bem. Porque de facto o amor regenera-se a si mesmo e prevalece para além das experiências. Nunca cai em saco roto. Se não agora, depois fará o seu efeito, como poeira que salta no ar mas que sempre desce até ao solo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A alquimia

Não estás aqui mas estás. É engraçado como fazemos parte da criação. Essa alquimia das estações. A natureza que se renova a si mesma. De onde vem essa vida? Passado o inverno vem a primavera. O que parecia seco, morto, sem sobrevivência, revela-se de novo em todo o seu esplendor. O ciclo dá voltas sobre si mesmo mas na novidade vem sempre algo de novo. Transformado. Não estás aqui mas é como se estivesses. Passa o dia e vais permanecendo de fundo. Assalta-me o querer de saber novidades ainda que saiba poder encontrar-te aqui e agora. De dentro e de fora. Do que tens dado, do que tens recebido. Espero que muito nos dois sentidos. Não tarda nada estás aí. Eu já ca estáva, e estou, a meu passo. A saborerar os pequenos passos. Saiba eu não dar um maior que a perna.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rebento


É-se livre mas porventura não se é liberto. Podemos optar. Mas, porventura podemos controlar? Não controlamos o que há de maior. Veja-se por exemplo o Amor. Amor, de onde vens? Não é muito mais uma brisa que vai ou vem, sem avisar? Avisar, nem sempre. Assim como vem, vai. Vai, não fossemos nós uma esponja. Quanto mais se aperta mais escorre a água ensopada. Desensopado é o desamor. Querer agarrar o que se esvai quando se sente apertado. Apartado fica quem corre atrás, do que corre a seu ritmo, independentemente do querer. Querer que maturado ainda assim é uma opção. Não falo só do sentimento. Sentimento, moção que nos emociona e move. Co-move-nos mas não chega. Chega a ser pouco só o sentimento que nos arrebate. Arrebate por ser adolescente. Adolescentes somos nós se não optarmos uma vez que seja. Seja arriscar seja tentar, numa tentação que faça boa moça. Numa espera sem esperar. Começar por baixo. Ao nível da base. Indo pouco a pouco. A seu tempo tudo se renova.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Novidade (nova idade)


Novidade. Nova idade. Recomeçar um novo ciclo. Gosto desta imagem, de olhar a vida como uma espiral de ciclos. Assim, partindo para um ciclo cheio de novidade, leva-se no bolso a experiência de ciclos passados. Ainda que custe recomeçar. Às vezes a passagem é dolorosa. Até que assentem as marcas da fase última que se findou e rebentem as novas premissas da ciclo que acaba de começar. Há mais mundo para além do ainda assim pequeno mundo onde nos movíamos. Onde já nos sentíamos confortáveis. A novidade mora em toda a parte. As novas oportunidades, aparecem muitas vezes de onde não esperávamos. Daquela pessoa, daquele acontecimento. A nova idade de tudo o que por nós passa e solicita um pouco da nossa disponibilidade. Saborear o que há de renovador a todo o momento. Por exemplo, nas amizades. A novidade espreita aqui e ali. Talvez não tenha já a mesma imagem a que estávamos habituados. Transfigura-se em novas formas. Transforma-se na novidade mais tenra. E quem sabe, com pernas para andar

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Que lógica


Quem disse que a vida é lógica? Não obstante de poder ter lógica. Sentido que não se conhece no imediato, mas que no decorrer no tempo, alguma explicação terá. Lutar por aquilo que queremos. Pelo que sonhamos. Sai-nos do esforço. Esforço que muitas vezes pode ser acompanhado de ausência de sabor, por acharmos que o que queríamos e da forma como queríamos é que deveria acontecer. Pois é. Às vezes não acontece. Pelo contrário. Até desacontece.

Fico espantado com algumas pessoas que conheço. Pela forma como seguiram em frente, após (durante) uma contratempo.E fazem-no com alegria. Com coração aberto. São de novo felizes. Passam os dias e fica-me a sensação (mais do que sensação) de que de facto, no final de contas, o que nos fica dentro, é o que de grande houve. O que de grande se deu ou recebeu. E de facto o que é importante é a pessoa. É a pessoa que tem valor. Não são as coisas. Não são os preconceitos, os medos de arriscar por algo que nos palpite dentro e nos fazem empurrar o que for, com a barriga para a frente. Daqui ficará o vazio do desperdicio. Da oportunidade de experimentar o além, daquilo a que não fui capaz de me comprometer tal qual se me apresentava, no aquém. Por ser do alto. Por ser o que se procura em toda a parte. O amor.

Porque no fim, tudo passa. Tudo é ultrapassável. O amor, acompanhar-nos-á. O resto vai deixando de ter sentido. Ou pelo menos o suficiente para nos fazer parar. Para nos deter a um compromisso maior. Para além daquilo que pensamos ser o nosso limite, está o caminho que nos felicitará.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Por o coração no lugar

Partilho hoje convosco uma explêndida oração para colocar o coração no lugar.

Não te inquietes com as dificuldades da vida
com os seus altos e baixos, com as suas decepções
com o seu futuro mais ou menos sombrio.
Quer o que Deus quer.

Oferece no meio das inquietações e dificuldades
o sacrificio da tua alma simples que, apesar de tudo,
aceita os designios da providência.

Pouco importa se te consideras um frustado
Se Deus te considera completamente realizado a seu modo.

Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer para si,
e que chegará até ti, ainda que nunca o vejas.

Pensa que estás nas suas mãos
tanto fortemente seguro
quanto mais decaído e triste te sintas.

Vive feliz. suplico-te.
Vive em paz, que nada te altere,
que nada seja capaz de tirar-te a paz,
nem a fadiga mental nem as falhas morais.
Faz com que brote, e conserva sempre no teu rosto
um sorriso doce, reflexo daquele que o Senhor continuamente te dirige.

E no fundo da tua alma, coloca, primeiro que tudo,
como fonte de energia e critério de verdade,
tudo aquilo que te encha da paz de Deus.

Lembra-te, tudo o que te inquieta e oprime é falso:
asseguro-te em nome das leias da vida e das promessas de Deus.

Por isso, quanto te sintas abatido e triste,
adora e confia.

Teilhard de Chardin sj

sábado, 15 de outubro de 2011

Bem aventurados


Bem aventurados os que se descobrem pela mão do Senhor. Bem aventurados os que querem descobrir o mundo, os outros, a vida, e se mantêm rectos no caminho do Senhor. Privilegiados os que se fazem acompanhar pelo Pai, quando se sentem sós, a precisar do colo humano que não tem. É aqui que mora a vida em abundância que tanto procuramos em tudo e em todos, em toda a novidade. É a Ele que procuramos! Quando pois, nos fechamos, nos sabemos perdidos e consentimos à tentacão de fazer um parentesis, de fechar os olhos e "seja o que Deus quiser", estamos desde logo a perder vida, ainda que nos pareca tão verdade que a estamos a ganhar.

Esse parentesis de "seja o que Deus quiser", é já por si um egocentrismo mascarado, a auto-traição que roubará vida a quem invoca este "falso Deus do parentesis". Após a promessa libertadora que nos faz a tentacão, quando consumida, esgota-se em si mesma e deixa-nos num vazio sem igual. Fica a angústia dilacerante de termos permitido destruir uma boa parte da nossa vida por um desesperado parentesis que hipocritamente desenhamos ao nosso jeito. Ao nosso jeito e não ao de Deus. De nós mesmos enquanto Ele em nós, no mais de proficuo que podemos ser.

Bem aventurados pois, os que se fazem acompanhar por Deus, pelo verdadeiro caminho verdade e vida, que o é aqui e ali na camunhão de todos os cristãos, seja aqui ou na China, pois Ele sim nos dá a vida em abundância que tanto procuramos, independentemente da fase da vida em que estamos.