No colo descanso. Sonho acordado. Manso. Acolhido em braços que parecem um berço de embalar. Respiro tranquilo. Respiro daquilo que desde sempre se procurou cantar, escrever, falar, Ser. Dás-me colo porque me quereres bem. Não há necessidade de ser eu, alguém que não eu. Faz-se perto a distância que nos possa separar, no meio de uma velocidade feroz que tenta fazer de nós, avezinhas confusas em busca do ninho. No colo pareço sozinho, por tanto se interlaçarem aqui, no ninho, o querer maior de uma experiência de céu. O céu, no colo.
terça-feira, 15 de março de 2011
Colo
No colo descanso. Sonho acordado. Manso. Acolhido em braços que parecem um berço de embalar. Respiro tranquilo. Respiro daquilo que desde sempre se procurou cantar, escrever, falar, Ser. Dás-me colo porque me quereres bem. Não há necessidade de ser eu, alguém que não eu. Faz-se perto a distância que nos possa separar, no meio de uma velocidade feroz que tenta fazer de nós, avezinhas confusas em busca do ninho. No colo pareço sozinho, por tanto se interlaçarem aqui, no ninho, o querer maior de uma experiência de céu. O céu, no colo.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Agora
Estamos em directo. Não há depois diferente nem futuro equivalente ao ideal dos dias. Não haverá certamente, tempo mais propício que o Agora, para fazer acontecer o que sonhamos ,para aquele depois que nos habita o desejo. Por isto, um dia quando...farei assim e assado? Um dia...hoje não merece o esforço que só parece ganhar sentido num futuro que provavelmente nunca virá por mais depressa que corram o passado e o presente juntos? Não! É-se por opção. Ou não se chegará a Ser, por estarmos sempre à espera do tempo que não prometeu vir.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Todo sem partes

Tudo fica bem quando começa bem. Partir para o dia de bem com ele, comigo, com o que me eleva para o que acordei para ser. Sendo, o mais possível de mim, logo de início, com quem me faz Ser. Simplesmente Ser, o mais de mim. Sem nada para dar, sem nada a receber. Apenas a presença basta para não haver partes para a soma, por ser o todo, um Todo só por si.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Ganha o Silêncio
Por vezes, tento trazer de dentro para fora o que És, cá dentro. Batalha em vão, por ser tão mais que o possível de se dizer, ainda que de dicionário aberto. Ganha o silêncio. Linguagem de quem É, sem precisar dizer alguma coisa para chegar a Ser. No silêncio escuto o que de mais fundo há. No fundo o que de mais fundo És. Quanto mais se vai escavando mais inteiro fico. É o estranho jogo de morrer para ganhar nova vida. Sem prescindir do que sou vou sendo desarmado nesta luta desigual, para que ganhe o que é Maior que eu. Um tanto, ao qual curiosamente, não chego, mas antes, que me alcança.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
com-sentido

Pediste-me para confiar.
Tarefa difícil quando, cheios de nós,
sem sentido,
teimamos supor que suportamos por nós,
o que talvez não nos pertença ter por concluído.
Assemelha-se à ilusão de controlar as hipóteses num qualquer jogo de sorte. É tanto o querer que nos chega a parecer real uma realidade que nos ultrapassa.
Começa-se sentido.
Quero dizer, Sem-tido, por nos escapar o ter.
Depois, volta-se ao ponto de encontro onde nos cruzámos da última vez. Aí, tudo ganha de novo, um novo sentido.
O mesmo, a partir do qual se tinha partido,
a partir do qual tudo fazia sentido.
Nunca se chegou a perder,
apenas se preparava para em resiliência voltar, contido.
Quero dizer, com-tido, por passarmos a ter.
Tarefa simples porque, cheios de Ti, agora com sentido.
De mim, apenas o coração dei,
e porque foste Tu a pedir,
a pedir para confiar com ou sem tido,
sorri, confiei.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Poema à mãe
Porque há "mães" que entretanto perdem o rasto do nosso dentro.
"No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves."
Eugénio de Andrade
"No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves."
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Nos rumos do homem novo
Esta letra...!
Na vara que se abre em dois caminhos,
Aceitamos proposta de opção,
Sabendo que nunca vamos, sozinhos
Quando é por Cristo, a decisão.
Mochila às costas, com o pão e a palavra,
Levamos tenda prontos para partir.
Guia-nos um fogo, que não se apaga
Que acende no lenço, a cor do servir.
Refrão
Ser Caminheiro
nos rumos do Homem novo
ser construtor,
de um mundo novo
caminhando no amor
ser Homem novo.
Sonhamos cada dia o amanhã,
E que queremos de esperança decidida,
E partilhar na carta de clã.
Nossos rumos, prosseguem aventuras
De encontros do Homem com Deus,
Na história.
A exigir a coragem de rupturas
De que a cruz no mundo, gritar memórias.
Refrão
Nas palavras de montanha, a verdade
A chamar por coerência e compromisso,
O evangelho feito comunidade,
Vivido em atitude de serviço.
De B.P. vem, o apelo a navegar,
Caminhos de triunfo, a felicidade,
Em Jesus Cristo a meta a alcançar,
O Homem novo chamado à eternidade.
Refrão
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Pelos dedos se conta a partilha
Pergunta-se para não se ouvir. Na realidade, ouvidos moucos ao que de facto seria relevante, para nós. Acontece quando nos abordam, sem no fundo, haver real intenção em saber como estamos. A questão é subtil. Normalmente invertida. Não a métrica. A semântica. Detecta-se, se por exemplo, na frase vier um tal de "então como vão as "coisas"?".
Qual foi a última vez que se perguntou: "como estás? (tu)". Sim, para tal é preciso disponibilidade, é verdade. Talvez seja por isso que é irritante de se fazer, a pergunta. Em resposta pode sempre vir um "não estou muito bem" e ai sentimos a necessidade de cuidar, deixando vir ao de cima a natural propensão à psicologia do senso comum que todos temos.
O que vale é que as "coisas", essas, à partida, estão sempre a correr lindamente.
No decorrer, vai-se perdendo o desejo de fundo e fica apenas a pobre conversa onde só há espaço para contar e não para partilhar. Contar tem apenas um sentido. Partilhar tem dois. Contando fica-se ainda mais vazio. Partilhando somos Um, depois.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Experiência de céu

Aprender a viver numa experiência de céu. Tanto de novidade como de querido e já conhecido por dentro, faz tempo, por tanto se desejar. A realização é veridica! Quando em maturidade, chega-se perto do que de maior há para se ter, em vida. Ter, que no fundo é um tudo de Dar. Por vezes , a possibilidade de nos sentirmos nós mesmos parece-nos vedada. Zona interdita, até ao dia que "do céu" chega a Graça. Um céu que se faz de dentro para fora e de fora para dentro, numa linha tão ténue, que nem se chega a confundir, por ser, em unissono a mesma Vida. Ressuscitado, proporcionas esta nova Vida, que és Tu mesmo, em nós.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Contigo Maria

Espreitar atrás da porta
Descobrir um quarto escuro
Inventar uma nova rota
Deixar o porto seguro
Caminhar por entre as trevas
A sorrir com confiança
Saber que a mão que nos leva
É a luz da nossa esperança
Contigo Maria vamos
É em ti que encontramos
A força para sonhar
Contigo Maria temos
A alegria que revemos
Nos gestos do teu amar
Estar atento que a meu lado
Pode andar alguém sozinho
Correr sempre ao teu encontro
Fazer da vida o caminho
Contemplar-te neste mundo
A sarar todas as feridas
Olhar cada vez mais fundo
Ter nas mãos o dom da vida
Contigo Maria vamos
É em ti que encontramos
A força para sonhar
Contigo Maria temos
A alegria que revemos
Nos gestos do teu amar
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