quinta-feira, 28 de maio de 2009

Conheço centenas de músicas religiosas. Também estas têm ciclos. Também têm top. Contudo, como acontece com a música em geral, nem semre as da moda são as que de facto nos dizem mais, lá no fundo. É claro que a que queremos ouvir é a recem chegada, aquela que cheira a fresco. Repesco uma música que para mim é um autêntico tratado. Isto se a sua letra for lida com minuciosidade. Rezada.


Não fiques na praia
Com o barco amarrado,
Com medo do mar.
Tudo aqui é miragem,
Mas na outra margem
Alguém está a esperar.

Como a onda que morre,
Sozinha na praia,
Não fiques brincando.
No mar confiante,
Ensina o teu canto
De ave voando.

Refrão
Voa bem mais alto,
Livre sem alforge
sem prata, nem ouro.
Amando este mundo,
Esta vida que é campo,
Que esconde o tesouro.

Ninguém te ensinou
Mas no fundo tu sentes
Asas para voar.
Nem que o céu se tolde,
E as nuvens impeçam.
Tu não vais parar.

Há gente vivendo
Tranquila e contente,
Como eu já vivi.
És águia diferente,
Céu azul cinzento
Foi feito p'ra ti.
Refrão
Sem Ti vivo mas não existo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

De facto hoje em dia, para se viver bem, o melhor é emigrar para esse país lá longe que é o estrangeiro. Por cá já nada há de novo, nada espanta, nada enche. Tudo ladra, mas nada morde. Nada morde cá dentro. Nada incendeia e inflama as nossas vidas, como lá fora, no estrangeiro. Tudo está parado, e bem ouvimos os testemunhos de quem por lá fora se governa. Lá fora é que é. Cá dentro, nesta rotina acelerada, tudo passa de moda, a moda é moda, não fica. A novidade que há vem do estrangeiro. O estrangeiro é Cristo. Ora tudo isto penso, ao pensar em Cristo. Falo da maior distância que há entre as mais próximas fronteiras. A distância de dentro, do coração à cabeça. Entre o país de dentro e o de fora. O de dentro é-se. Basta nascer. O de fora basta voar até Ele.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Às vezes dou por mim a dizer ou a pensar coisas que os santos já disseram (não sabendo eu disso). Não se trata de ser santo ou algo parecido mas...penso tratar-se de começar por onde eles começaram. Do nada. Trata-se de ser como eles. Real. De carne e osso. Fazendo caminho, pensando que estou parado. Desconhecendo o que também eles desconheciam...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Não há nada como levantar cedo. Um dia de 16 horas já é curto, quanto mais um de 10. Há dias que o tempo parece mais rápido que nós. Noutros, sobramos nós para o tempo que há. Com tempo hei-de perceber o tempo. Tudo terá que passar por ele. É omnipresente. Não se apropria de nada mas é dono de tudo. É tudo uma questão de tempo.

sábado, 23 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A partilha

A água não se quer no lençol mas a sair pela fonte. Deus brota do silêncio mas, porque partilhado, sacia a sede. Não nos tira vida por nos querer cada vez mais fundos e só para Ele . Quanto mais vazio estiver o poço mais água levará. Que não transborde por ser o fundo muito perto da bica ou por serem impermiáveis as suas paredes. Que transbordamos?

Não interessa transbordar se não for muito o escavado e daí a água vier. Ainda que vinda do fundo, se não transbordar não chega a ser o que É.
Quem não partilha Cristo não está verdadeiramente em Cristo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A oportunidade de uma vida. O Presente.

É genial a forma como Jesus clarifica a nossa condição de pecadores. Condição, não no sentido incondicional de que o pecado nos rege mas no sentido de ser parte constituinte das nossas permissas. Contextualiza-nos no espaço e no Ser. É genial pois leva-nos a atingir aquilo que a nossa magnífica inteligência não logra alcançar por ficar no cácere do irracionalmente lógico.

É a oportunidade de uma vida. Incrível como tudo pode mudar num encontro, num livro, num filme, num olhar, numa dúvida, num etc de experiências. A propósito do Presente... Presente é o tempo de Jesus. Não quero dizer que não seja também Passado e Futuro. Não seria Presente se o não fosse também.

A propósito disto ecoa-me no dentro a resposta que Jesus deu ao cobrador de impostos. A imagem que tenho deste encontro é-me colorizada por um dos filmes da vida de Jesus que passou nesta Páscoa.

Ainda que tenha sido o próprio Jesus a fazer o convite para que ele O seguisse e ainda que nele, a redenção do Senhor já operasse, o combrador de impostos não se sentiu digno de poder Ser com Ele. O fardo era pesado. Um passado avesso à santidade. Um futuro pressagiado pelo que se foi. O modo como os outros o olhavam lembravam-lhe o Homem Velho a todo o instante, de tal modo que quase se sentia a se-lo de novo.

Disse ele:
"Jesus não consigo continuar contigo. Olha como me olham. Sei o que fui. Não sou digno de Te seguir."

Jesus respondeu:
"Mateus, foste(!?), já não és. Agora és Homem Novo. Criatura nova. Sou Eu que te digo. Vem e segue-me!"

É a oportunidade de uma vida. É o Presente.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Amar. Apesar de ser um todo maior que qualquer tudo, nem sempre ajuda ou facilita o racional. Nem sempre nos sustem em segurança. MAs quem? Ele ou nós? E quem disse que amor não é insegurança? Os dias não mudam. No fundo quem muda somos nós. Muda a disposição interior e a nossa objectiva. Enquanto o homem novo vence o homem velho tudo parece mudar. Tudo fica mais perto. Tudo se torna possível. Tudo muda. Tudo tem uma nova cor, que afinal já tinha, mas que não fazia parte do catálogo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

E agora, será assim para sempre? Uma vez tomada a consciência de que respiro e vivo, não conseguirei jamais andar distraído e por instantes esquecer-me da minha existência?

domingo, 17 de maio de 2009

Não cessemos na alternativa de vida que temos acente num crescendo em qualidade que nos vai sendo dado por Deus em nós. O mundo é cada vez mais exigente, como nos apercebemos nós os que pensamos nele e na sua salvação. Aumentemos pois em nós a humildade e a disponibilidade ao serviço por Amor e coloquemo-nos onde ninguém quer estar por ser exigente o desafio.

sábado, 16 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Morrendo para o mundo, nasce-se de novo. era suposto entender-se pelo batismo mas vai faltando acontecer isto mesmo no todo que somos. E somos incompletos. Os dias são os mesmos e a realidade não muda tão rápido como poderá mudar na nossa cabeça a cada instante. É a capacidade que o raciocinio tem de nos levar longe. Quando damos por nós, tudo está na mesma. Apenas na nossa cabeça é que não.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Há estudos sobre isto

Era perceber o mundo. O que se corre a mais dava para chegar já à ponta do universo. Corre-se à frente do saber sem se perceber o que se deixou para trás. Há estudos para tudo e se hoje não se disser que "há estudos sobre isto", o que estamos a dizer já não é tão credível. À partida, perceberia-se melhor a lógica das coisas, e ter-se-ia tirado já, proveito disso. Não me parece. Parece-me que os estudos (que não lemos! e apenas consumimos o que deles nos apresentam em flash) nos têm tirado um pouco a capacidade de atentarmos quer na nossa experiência pessoal, quer na experiência pessoal de outros. Não que os estudos não sejam credíveis, que o serão de certo, contudo a leitura da realidade a partir da experiência individual deixa de ter expressão. Como que, de que vale partilhar uma experiência que ainda por cima não coincida com o que é esperado ouvir, se não houver "estudos sobre isso"? Não me parece que as coisas só sejam válidas quando creditadas com a actual expressão que dignifica um discurso: "há estudos sobre isto".

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Como será um encontro com Cristo depois de uma vida, se ainda agora, com tão pouco de existência, revejo tanto tempo perdido à procura, do que afinal está em Si. Alegro-me por isto. Afinal, tenho uma vida pela frente. Não há por isso falta de tempo e remorsos de uma vida longa mal vivida. Há antes um futuro à minha espera. Há um Cristo que me impele e me desmonta. Convida-me a morrer para o suposto e a ressuscitar com Ele para a vida.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Tenho saudades de Deus.
Mas tenho sempre.
Não é de agora.
Nem o deixei lá longe.
Ainda agora O trago.
Ter-Te é querer-Te sempre,
mas com saudade a cada momento,
ainda que Te tenha a todo o instante.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Porque me alcanças vou perdendo o mundo a custo, mas sem pena. Vais-me absorvendo a cada dia. Absorves-me porque me deixo permiável a Ti e por isso me vou filtrando. A todo o instante, tudo ganha novo e mais sentido em Ti, apesar da exigência que contigo trazes. Deixar que sejas em mim é dar a oportunidade a mim mesmo de não ficar na periferia da vida. É daqui que surge o desejo exponêncial de querer ser maior que o mundo por me sentir propriedade de Ti infinito. Não consigo entender tudo mas dou-me à confiança pois sinto que és Tu próprio quem mo pede.

domingo, 10 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O peregrino

Não parando, caminho. Para onde vou? Que levar? Que trago já? Que pesa e não faz falta? Que faz falta e não pesa? Quem trago comigo? Quem vejo à frente? Marco passo atrás de alguém? Impeço que outros andem a seu ritmo? Não os deixo passar? Deixo-me ficar atrás de alguém? Com que ritmo? Quem vai ficando para trás? Onde parar para descançar?Quando parar para descançar? Que limite? Com que pés vejo o caminho? Com que olhos atento a meta? Que confiança me faz avançar? Saboreio tudo isto. Penso. Rezo. Não parando, caminho.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não dava nada por mim quando comecei a caminhar contigo. Sinceramente não percebia muito bem o que podias fazer por mim e muito menos que haveria um "Nós" e que juntos podiamos "Ser" em mim. "Isto é sério"? Não percebia. Percebia melhor o que podiamos antes fazer pelos outros. Ajudar os pobres, os doentes etc...Todavia fui-me apercebendo que, sendo apenas eu em tudo, as coisas à minha volta não davam fruto. Não geravam vida nos outros e em mim, e apenas afinal, faziam cossegas à pele. Sentia-Te epidérmicamente. De mim, por mim, saiem apenas pequenos estimulos. Pequenas emoções que se parecem grandes. Grandes coisas tendo o meu ego como director espiritual. Não dava nada por mim. Só, continuo a não dar. "Ser" contigo é afinal ser o que desejo no mais fundo de mim, mas do Teu jeito. Assim, ainda que tudo se mantenha, tudo muda, tudo é novo. A Vida é abundante.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Todos farinha do mesmo saco. Todos a mando da mesma mão criadora, do mesmo pulso, somos uns dos outros. Parecidos aqui e ali, diferentes em todo o lado. Somos espécies de nós mesmos. Temos o que faz falta uns nos outros, temo-nos a mais quando nos temos, temos a menos quando não estamos perto. Muito perto também não. Pode fazer faísca. Mas faísca que é cumplice e que se sente a arder sem dizer que precisa ser fogo. Somos de sangue. É de dentro. É bom tar no ninho, juntos. Ainda que se presinta a hora de cada um voar para o seu céu. Sente-se como temporário este tempo mas é marca para sempre. Agradeço-Te Senhor pelo dom da vida do meu mano mais novo. "Hii já se sabe" =) Coisas de irmãos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Somos instrumentos. Produzimos vida. Mas não temos a alquimia das estações. Engraçado. Ao mesmo tempo estamos perto e longe do dom da vida. Tanto que nos foge à lógica. Percebemos melhor a nossa propensão para a vida quando, por exemplo, nenhum de nós se consegue aguentar de baixo de água sem que num último instante nos puxemos para a superficie. Há algo que nos impele para a vida e nos ultrapassa o racional...

domingo, 3 de maio de 2009

Estás para lá do entendimento mas deixas que Te entenda. É espantoso como entendeste a lógica da vida. Não te foi revelada de antemão. Apenas Te deixas-Te guiar pelo Pai. Apenas fizeste da Tua vida uma oração. Apenas não receaste que a vida não fosse o que era suposto ser. Poderias ter sido um óptimo carpinteiro talvez. Quem sabe se não terias capacidade de ter a teu comando um rancho de familias a trabalhar numa Tua serração. Ou então, já que tinhas queda para o espiritual, podias até ser o lider espiritual do templo. Têm-Te pintado bonito. Simétrico. Às tantas até eras mesmo belo. Terias por isso, todos os condimenntos para seres um homem pretendido. Provavelmente tiveste as tuas namoradas pois. Mas, escolheste depois, um caminho para além disso. Tens conseguido libertar milhões à Tua volta. Quanto tempo estiveste só? Quanto à margem não Te has-de ter sentido. Mas vias para além disso. Há vida para além do que é suposto viver. Quantos corações não hão-de ter ficado desassossegados de amores por Ti. E o que é isso comparado com o bem maior que trouxeste ao mundo? Que vale mais mesmo? Um pássaro na mão? Ou muitos a voar?

sábado, 2 de maio de 2009

Procuro-Te em todas as coisas, e de facto, em todas as coisas Tu estás. Enquanto me demoro vou secando. Espreito de um lado e de outro. Nem sempre Te reconheço em tudo. Puxas-me para Ti mas para si me puxa o mundo também. É tão fácil e sedutor o que fácil é e sedutor se apresenta. Continuo a escavar. No coração cabe o infinito. Ainda que não saia do mesmo sitio e o corpo não se mude, muda-se-me a alma e viajo dentro por onde me levas Tu. Vejo imensa coisa. Vejo-me inclusivamente eu remando contra mim e contra uma maré que se parece maior que o próprio mar. Havemos de nos encontrar na Eucarístia. Sacias-me a sede. Obrigado por me venceres.

sexta-feira, 1 de maio de 2009